segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Capítulo 1: Origem

Uma linda menina nasceu no dia 13 de Dezembro de 1681, século XVII, na cidade de St Augustine, Estados Unidos. Filha de John Lee e Sarah Cargill, à menina foi dado nome de Amy, Amy Lynn Lee. Não que acreditasse muito naquilo, mas seus pais deram a ela tal nome pelo significado de ser demasiadamente amada. Amy significa em poucas palavras: aquela que é amada.  Um tanto irônico devido aos fatos futuros que levariam Amy ao mais obscuro ponto de seu ser.  
A menina era um lindo bebê. Possuía pele clara como leite e olhos azuis e profundos como o oceano. Não possuía ainda cabelos, mas quando estes começaram a nascer eram loiros como o ouro.
Amy era uma criança alegre, não demorou muito para que aprendesse a se comunicar, a andar e logo correr e rir com os demais irmãos. Possuía três irmãos Robert, o mais velho, Carrie e Laurie. A vida era simples, mas possuía tudo o que necessitava. Seu pai John era um músico, o que na época não era bem recompensado financeiramente. Sua mãe Sarah era costureira e ganhava a vida fazendo vestidos para a alta sociedade.  St. Augustine era uma cidade pequena num país em ascensão. O novo mundo, como era chamado, foi demasiado convidativo para a família que se mudou de algum canto da Itália para recomeçar. Amy nasceu três meses depois de chegarem.  A cidade não oferecia exatamente o esperado, mas eram felizes com o que possuíam. 
Amy tinha  três anos quando sua irmã mais nova nasceu. Deram a ela o nome de Bonnie, era um lindo bebê e muito parecida com Amy. Todos estavam felizes, mas algo estava errado com Amy.  
Amy deixou de ser o centro das atenções com a chegada da nova irmã. Isso não a incomodou na verdade, a menina de três anos possuía um novo amigo, um amigo que ela não podia ver, mas que conversava com ela e contava histórias.  Muitas vezes Sarah encontrou Amy fora da cama de madrugada, sentada no chão, sussurrando para as paredes. Quando comentava o ocorrido com o marido, este sempre dizia que era comum que Amy possuísse um amigo imaginário, Sarah não estava tão certa disso.
A casa dos Lee ficava ao lado de uma densa mata com árvores altas onde animais viviam e pássaros noturnos cantavam a noite. Certo dia quando Sarah foi acordar a filha pela manhã e não a encontrou na cama, saiu desesperada procurando-a pela casa. Horas mais tarde com a ajuda da polícia a encontram perdida na mata enroscada numa cerca densa de espinhos. Ninguém sabia dizer como Amy conseguira sair de casa pois todas as portas estavam trancadas e as janelas eram altas demais para pular. Por Deus, a garotinha tinha pouco mais de três anos!  
Quando encontraram Amy, levou muito tempo para que  conseguissem tirá-la dos espinhos. Eram tão densos e afiados que todos ficaram perplexos sem compreender como ela tinha conseguido se meter lá. Quando enfim chegaram até ela, perceberam que ela possuía os olhos abertos, mas não piscavam. Estava em transe, ou em choque, como o médico disse para os pais depois de examiná-la.
 - Ela só precisa de um pouco de repouso e tudo ficará bem. – disse o doutor depois de retirar alguns espinhos de seus braços e fazer curativos nos cortes de seus pés, pernas e pulsos. Mas nada ficou bem. Na verdade as coisas começaram a piorar. 
Amy tinha ataques durante a noite, onde acordava gritando dizendo que alguém queria machucá-la, mas nunca tinha ninguém no quarto. Durante o dia a menina não brincava mais com os irmãos, ou se quer se aproximava da bebê, ela desenhava. Seus desenhos eram sempre iguais: a família ao fundo, Amy sozinha e uma sombra que a observava. Certa vez Sarah se desesperou ao ver um desenho onde Amy estava dormindo em sua cama e uma sombra alada flutuava sobre ela, como se observasse seu sono. Os pais conversaram com Amy sobre os desenhos, mas Amy sempre dizia que não se lembrava de tê-los desenhado. Atormentados, os pais procuraram um médico que recomendou que a garotinha fizesse sessões permanentes de terapia. 
Durante as sessões Amy sempre ficava muito nervosa quando perguntado sobre os desenhos ou o porquê de conversar sozinha com as paredes.  O médico administrou para Amy doses diárias de calmantes que a deixavam na maior parte do tempo sonolenta. Isso diminuiu os incidentes e o tempo passou. 
3 anos se passaram. 
Os pais de Amy ainda se perguntavam porque o destino lhes foi tão cruel, dando-lhes uma filha perturbada. Porque era assim que todos enxergavam Amy.  Aos 6 anos a garota não falava com as pessoas, não brincava, não se envolvia com os pais. Na escola, Amy amedrontava as outras crianças, algumas crianças choravam em sua presença.  Não demorou muito para que a escola pedisse aos pais que a tirassem dos estudos e aconselhou-os a contratar um professor particular.  Dessa forma Amy ficava ainda mais excluída do mundo, sempre sozinha com olhos perdidos, murmurando palavras desconhecidas ao vento. 
Certa vez a mãe de Amy a encontrou debaixo da cama, ria como se conversasse com alguém, cantava palavras em uma língua que a mãe jamais ouviu antes. Pelo menos não daquela forma. Como a família Lee vivera na Itália a vida toda e levaram sempre uma vida religiosa, era completamente comum a eles ouvirem rezas e preces em Latim, mas não era um simples Latim que Amy murmurava, era algo arcaico, algo que a garota não tinha como saber. Pelo amor de Deus, ela só tinha 6 anos!  
O pai de Amy começou a cogitar seriamente a ideia de interná-la num hospital especializado em pessoas com deficiências mentais, mas a mãe jamais aceitou. Doía a idéia de aceitar que fracassaram em tentar salvar a filha.  Descobririam futuramente que interná-la era a melhor opção. Descobririam da pior forma possível. 
Uma cadeia de acontecimentos terríveis tomou forma dentro da casa dos Lee. O cachorro da família, Bubby, foi encontrado enforcado na árvore ao lado da janela do quarto de Amy. Obviamente não poderia ser a menina, afinal a arvore era um imenso Carvalho, não haveria como ela alcançar ali.  Uma semana depois, Amy acordou gritando dizendo que algo queimava dentro dela, mas quando sua mãe chegou a temperatura a garota congelava. 
Gritos e choros se tornaram constante dentro da casa, Amy sempre murmurava, as vezes gritava dizendo que a voz não parava de falar, mas nunca havia ninguém falando.  Sarah pediu a John que chamassem um padre para conversar com a filha, passava por sua cabeça, e mesmo que ela tentasse com todas as forças tirar esse pensamento de lá, que Amy pudesse estar sendo perturbada por algum espírito ou entidade maligna. John disse que a idéia era absurda e proibiu a esposa de tocar no assunto novamente. 
-Ela está doente – gritou ele – por Deus! Ela precisa de um médico não de um padre! Então, na véspera de completar 7 anos, aconteceu algo que mudou completamente a vida de todos, inclusive de Amy. 
Amy acordou de madrugada, mas de alguma forma não podia mover o próprio corpo, uma voz soava em sua cabeça, alguém falava com ela de dentro de seu corpo. Apavorada, ela lutava, mas não conseguia se libertar. Amy viu seu próprio corpo levantar e rastejar pelos corredores da casa, observou enquanto suas mãos puxavam Bonnie para fora da cama. A menina assustada, seguiu Amy, mas aquela não era Amy, não mais. Amy tentou gritar quando suas mãos pegaram uma faca na gaveta da cozinha, tentou conter a si mesma quando tapou a boca da irmã para que não gritasse e chorou sem derramar uma lágrima, gritou sem proferir um som, quando viu o sangue da irmã morta em suas mãos. Uma risada animalesca saiu de seus lábios, e então como que numa nuvem de fumaça negra, foi liberta e pode então gritar por seus pais.  
John e Sarah gritaram desesperados quando viram o que a filha havia feito. Num momento de ódio, John partiu para cima da filha, mas foi contido pelos vizinhos que invadiram a casa e se depararam com a cena horrível.  
A família Lee estava destruída. Sarah carregaria a culpa da morte da filha Bonnie pelo resto da vida, assim como John a culparia por não tê-lo deixado internar Amy.



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